Impermeabilidade da cerâmica

Impermeabilidade da cerâmica

Uma das questões mais proeminentes no que toca à área da cerâmica está relacionada com a sua capacidade de impermeabilização. Afinal de contas, a cerâmica é impermeável ou não?

No que toca a esta questão em particular existem várias variáveis que temos de ter em consideração.

Primeiramente, cada tipo de argila, quer seja faiança, grés, porcelana ou terracota, tem as suas próprias particularidades. No nosso caso, trabalhamos com a faiança, e, na forma de matéria-prima virgem e como uma argila de baixa cozedura, podemos dizer que não é impermeável. Devido à sua propriedade porosa, este tipo de argila absorve a água, ou outros líquidos, e causa um vazamento, mesmo depois da sua primeira cozedura – na fase da chacota.

Então como é que é possível usar vasos de cerâmica, beber de uma simples chávena ou até lavar pratos de cerâmica?

Como dito anteriormente, mesmo depois da primeira cozedura, na fase do biscoito, a faiança permanece permeável uma vez que durante a primeira cozedura, a peça perda a sua plasticidade, mas não perde a sua porosidade inerente. O biscoito possui impercetíveis poros que são responsáveis pela absorção da água e consequente vazamento do líquido e deterioração do corpo cerâmico.

Porém, felizmente a peça ainda não está acabada – ainda falta colocar os vidrados. Para além de atribuir cor e personalidade a uma peça, um vidrado cria também uma camada vitrificada que cobre toda a superfície da peça cerâmica e que poderá impermeabilizar a peça durante a segunda e última cozedura. Porquê poderá?

Frete

Durante a segunda cozedura, o vidrado funde-se com o corpo cerâmico. Assim, o fundo da peça deve ser limpo e livre do vidrado de forma a evitar que se cole ao vagão. Esta área não vidrada é designada de frete, e, é nada mais nada menos do que chacota. Como tal, esta área fica desprotegida e permanece sem resistência à água ou outros líquidos.

Foot rim

Vidrados especiais

Quando se trabalha com vidrados regulares conseguimos prever o que vamos obter – uma cobertura completa e uniforme da peça e uma estabilização dos mesmos durante a cozedura. No entanto, com vidrados especiais a situação não é assim tão simples.

Vidrados especiais – reativos, crackles, e outros – são imprevisíveis. Eles criam reações inesperadas durante a cozedura, o que poderá abrir poros nos vidrados, deixando a peça, mais uma vez, exposta e frágil, aumentando a probabilidade de absorção da água.

Como podem ver existem diversas variáveis a ter em consideração.

Com isto, quando é a faiança realmente impermeável?

Uma peça de cerâmica em faiança pode ser resistente á água quando vidrada com um vidro regular ou quando este tipo de vidro é aplicado no interior da peça, usando, por exemplo, um vidrado regular na parte interna da peça e um vidrado especial no exterior como decoração. (Porém, alguns vidrados não podem ser misturados).

Veja esta experiência realizada na fábrica onde colocamos água em duas diferentes peças de cerâmica. Uma delas ainda se encontra na fase de chacota, ou seja, ainda não está vidrada, e a outra encontra-se finalizada, com uma camada de vidrado regular no interior.

Nesta experiência consegue observar que na primeira peça, ainda em chacota, a água é absorvida, enquanto que na segunda peça o mesmo não acontece, a peça é resistente ao líquido.

Por último, há sempre a possibilidade de aplicar um repelente de água na peça final, este irá selar os poros impercetíveis do vidrado, resistindo à água ou a outro líquido quando em contacto com a peça.

É importante ter em mente que cada peça é única e, portanto, aconselhamos que se leiam sempre as instruções dadas.

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